Entenda a Reforma Tributária de um jeito
PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS estão sendo substituídos por CBS, IBS e Imposto Seletivo. Entenda o que muda, sem susto, e saiba exatamente o que fazer agora.
Guia gratuito e sem juridiquês · ~12 min de leitura · um guia do RRT Group, revisado pela RRT Contabilidade.
5 impostos viram 3
Cinco tributos antigos e confusos dão lugar a três mais simples. Passe o mouse, ou toque, em cada novo imposto para ver de onde ele vem.
*Alíquotas de referência (estimativa · Nota Técnica do Ministério da Fazenda, 2024). O IPI será zerado para a maioria dos produtos; mantido só para itens que concorrem com a Zona Franca de Manaus.
O que é a Reforma Tributária
Se a Reforma parece complicada demais, fique tranquilo, essa sensação é universal. Vamos destrinchar junto, em português claro.
A Reforma Tributária do consumo é a maior mudança no sistema de impostos do Brasil em décadas. Ela não cria mais impostos: troca cinco tributos antigos e complicados por três mais simples.
A analogia das três gavetas
Hoje o imposto está espalhado em cinco caixas confusas (PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS). A reforma organiza tudo em três gavetas: uma federal (CBS), uma dos estados e municípios (IBS) e uma só para produtos que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente (Imposto Seletivo).
Cobrança no destino
O imposto fica onde o produto é consumido, não onde é produzido. Isso encerra a "guerra fiscal" entre estados.
Como o IPVA: você paga onde mora, não onde o carro foi fabricado.
Não-cumulatividade plena
A empresa desconta o imposto que já pagou nas compras, acaba o "imposto sobre imposto".
Cada elo da corrente desconta o que o anterior já pagou.
Transparência
O imposto aparece destacado na nota. Você vê exatamente quanto paga.
Fim do imposto "escondido" no preço.
Por que mudaram?
O sistema atual é um dos mais caros do mundo para se cumprir: muitas horas de burocracia, disputas infinitas e uma "guerra fiscal" em que estados davam descontos para atrair empresas. A reforma quer três coisas: simplificar, dar transparência e tributar onde se consome. É uma escolha de modelo, o mesmo IVA usado por mais de 170 países.
O outro lado, com honestidade
Toda reforma tem quem ganha e quem perde. Itens essenciais e quem compra muito insumo tendem a ganhar; alguns serviços podem pagar mais. Mais adiante mostramos para quem pode pesar.
O ângulo
A Reforma não é problema do governo.
É decisão da sua empresa.
Entender agora é o que separa quem se adapta de quem só reage.
CBS, IBS e Imposto Seletivo
Somando CBS + IBS, a alíquota de referência gira em torno de 26,5%, um teto-meta, não um número fixo em lei. Pela LC 214/2025, se a soma real ultrapassar esse limite em 2031, o governo é obrigado a propor ajuste. E muitos produtos pagam bem menos (veja a seguir).
Você está aqui, e ainda dá tempo
Parece muita coisa de uma vez, mas a transição foi desenhada para durar 8 anos, justamente para ninguém mudar tudo ao mesmo tempo. Em 2026, sua única tarefa prática é adequar o sistema.
O IBS sobe, o ICMS/ISS desce
Substituição gradual ano a ano (2029 → 2033).
O imposto separado na hora do pagamento
Funciona como o iFood
Quando o cliente paga, o app já separa a taxa antes de repassar ao restaurante. No split payment, quem separa é o banco/maquininha, a fatia do imposto vai direto ao governo e você recebe o restante.
A separação acontece no pagamento, fatia ilustrativa.
Valores ilustrativos, alíquota é estimativa.
Vende a prazo? Atenção ao caixa
O imposto é descontado quando o cliente paga cada parcela, não na emissão da nota. Isso muda seu fluxo de caixa. Não precisa entrar em pânico: antes de 2027, sente com seu contador e simule. Passo simples agora: pergunte ao seu adquirente/gateway se já suporta split payment.
Quem paga menos
| Benefício | Quem se enquadra | Alíquota efetiva* |
|---|---|---|
| Alíquota ZERO | Cesta Básica Nacional, 32 produtos (26 no Anexo I + 6 no Anexo XV da LC 214/2025): arroz, feijão, leite, pão francês, carnes, hortícolas, frutas, ovos etc. | 0% |
| Redução de 60% | Alimentos fora da cesta, medicamentos, saúde (clínicas, hospitais, médicos), educação, transporte público, insumos agropecuários | ~10,6%* |
| Redução de 30% | profissões regulamentadas (lista taxativa, art. 127): advogados, contadores, engenheiros, arquitetos, administradores, economistas, entre outras | ~18,6%* |
*Sobre a alíquota de referência (~26,5%); valores definitivos dependem de regulamentação.
Atenção: a redução de 30% não inclui médicos
Saúde está na faixa de 60%. E a profissão por si só não garante o benefício: o serviço precisa ser típico da atividade regulamentada. O enquadramento é avaliado caso a caso.
Cashback tributário
Devolução de parte do CBS/IBS para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico. Ex.: parte do imposto do gás de cozinha volta para a família. Os detalhes operacionais ainda dependem de regulamentação.
MEI e Nano
MEI: preservado e fora da incidência de CBS e IBS. Nanoempreendedor (categoria nova): faturamento até R$ 40.500/ano, isento. Regras ainda em definição.
Simples Nacional
Continua existindo. A empresa poderá recolher CBS/IBS dentro do DAS (mais simples) ou por fora (gera crédito para o cliente PJ, com mais obrigações).
Quem pode pagar mais
A "carga neutra" é uma média da economia, não uma garantia para cada empresa.
A promessa de carga total neutra vale para o país como um todo. Empresas de serviços (TI, consultoria, software/SaaS, agências) hoje têm pouco crédito de ICMS para abater; com o novo modelo, podem ter carga maior, mesmo com a redução de 30% quando aplicável.
Se a sua empresa é intensiva em serviços, simule o impacto antes de 2027, é exatamente o tipo de análise que fazemos no diagnóstico.
Calcular o meu caso no simuladorSimule o seu caso
Estimativas educativas com as alíquotas de referência. Mexa nos valores e veja o impacto na hora.
Estimativa sobre o faturamento, sem os créditos das suas compras, o valor real costuma ser menor.
O imposto sai a cada parcela paga, não na emissão da nota. É o que muda no seu fluxo de caixa.
Itens da cesta básica ficam isentos; essenciais têm grande redução. Estimativa ilustrativa.
Valores ilustrativos com alíquotas de referência (estimativa · Nota Técnica MF 2024 / LC 214/2025). Não é cálculo tributário oficial e não dispensa a orientação do seu contador.
Escolha o seu regime
MEI Impacto zero
Em 2026 e adiante, você segue fora do CBS/IBS. Nada muda no seu pagamento. Fique de olho só se ultrapassar o limite do MEI.
Simples Nacional Decisão futura
Em 2026, impacto prático zero. A decisão importante vem depois: manter CBS/IBS no DAS ou segregar para gerar crédito ao seu cliente PJ. Se você vende para empresas (B2B), segregar pode ser vantajoso; se vende ao consumidor final (B2C), normalmente não. Decida com seu contador.
Lucro Presumido Atenção
A presunção não existe no IBS/CBS. Há discussão sobre a continuidade do regime, algumas empresas podem avaliar migrar para o Lucro Real. Não é automático nem obrigatório hoje: depende de margem, custos e crédito. Avalie com seu contador. Ver a análise →
Lucro Real Transição mais suave
É o regime mais alinhado ao novo modelo (crédito amplo). Sua transição tende a ser mais suave. Ver a análise →
Consumidor Mais clareza
O que te interessa: a cesta básica fica isenta, vários itens essenciais terão redução, e famílias de baixa renda recebem cashback. Na nota, você vai enxergar melhor quanto paga de imposto.
Lembrete importante
A Reforma trata de impostos sobre o consumo. Imposto de renda (IRPJ, CSLL) e encargos trabalhistas (INSS, FGTS) não fazem parte dela e seguem regras próprias.
Simples Nacional: recolher CBS/IBS dentro ou fora do DAS?
Para a maioria das PMEs, é a decisão mais importante da Reforma, ela define se o seu cliente pessoa jurídica vai conseguir aproveitar crédito cheio. A escolha é semestral.
| Dentro do DAS | Por fora (regime regular) | |
|---|---|---|
| Complexidade | Baixa, guia única do Simples | Maior, apura CBS/IBS à parte |
| Crédito ao cliente PJ | Limitado à parcela embutida no DAS (art. 47, §9º, II) | Integral, destaca na nota pela alíquota cheia |
| Crédito das próprias compras | Não toma crédito | Toma crédito (insumos, energia, aluguel…) |
| Melhor para | Vendas ao consumidor final (B2C) | Vendas para empresas (B2B) |
Marcenaria vende R$ 10.000 para a Construtora
A parcela de CBS/IBS embutida no DAS é pequena, ilustrativamente ~3% da venda.
A Construtora só consegue abater R$ 300 (art. 47, §9º, II).
A Marcenaria destaca CBS+IBS na nota: 26,5% × R$ 10.000.
Valores ilustrativos a 26,5% (estimativa). A parcela embutida no DAS depende do anexo e da faixa de faturamento .
O que o exemplo mostra
Para o cliente PJ, o crédito salta de R$ 300 para R$ 2.650, comprar "por fora" recupera R$ 2.350 a mais. Uma empresa B2B que fica "dentro do DAS" pode ficar menos competitiva. Em troca, o "por fora" traz mais obrigações, mas dá direito a creditar as próprias compras.
Nota com CBS/IBS destacados
Cliente PJ credita integral
Empresa credita as compras
Recolhe a diferença por fora
Vende para empresas?
Avalie o por fora, seu cliente aproveita crédito cheio.Vende para o consumidor final?
Provavelmente dentro do DAS, mais simples e barato.A escolha vale por semestre, a do 1º semestre de 2027 se comunica em setembro de 2026. Não dá para deixar para a última hora.
Checklist 2026
Não precisa fazer tudo de uma vez. Estes são pontos de partida, implemente cada um com o apoio do seu contador, que já está mapeando isso para o seu negócio.
Converse com seu contador sobre a transição (comece por aqui).
Atualize o ERP/emissor de NF-e, NFC-e e NFS-e com os campos de CBS e IBS.
Teste a emissão de notas em ambiente de homologação.
Atualize a escrituração (EFD-Contribuições) e o PVA do SPED.
Configure os códigos de receita de CBS e IBS no sistema financeiro.
Mapeie o impacto do split payment no seu caixa.
Treine a equipe fiscal nos novos campos.
Avalie com seu contador a revisão de contratos de longo prazo.
Baixe o Checklist 2026 em PDF
E receba um aviso quando as alíquotas forem publicadas. A reforma muda rápido, a gente te avisa.
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Perguntas frequentes
Vou pagar mais imposto?
Preciso mudar algo em 2026?
Meu sistema vai parar?
Meu contador já está preparado para isso?
Sou prestador de serviço, vou pagar mais?
O Simples Nacional vai acabar?
Simples Nacional: melhor recolher CBS/IBS dentro ou fora do DAS?
E o MEI?
Tenho saldo credor de ICMS acumulado, vou perder?
Vendo por marketplace/e-commerce, muda algo?
O que é cashback tributário?
Por que a transição é tão longa?
Conteúdo de quem vive a contabilidade todo dia
Este guia é um produto do RRT Group, revisado pela equipe contábil da RRT Contabilidade, escritório em Campinas com nota 5,0 no Google (534 avaliações), que atende PMEs em todo o Brasil.
Atende toda demanda. Oferece soluções personalizadas para cada negócio, recomendo!
Referência no mercado, indico de olhos fechados!
Excelente time fiscal, ótimo trabalho de recuperação tributária.
Ficou com alguma dúvida?
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