2026 é o melhor ano possível para se preparar para a Reforma, e por um motivo simples: é fase de teste, sem custo de imposto. Quem usar este ano para adequar sistemas, notas e equipe chega tranquilo a 2027, quando a CBS entra de vez. Este é um guia prático do que fazer.
Conteúdo informativo, baseado na LC 214/2025 e nas regras operacionais vigentes em junho/2026. Códigos de receita e layouts podem sofrer ajustes ao longo do ano. Confirme com o seu contador. Não substitui orientação individualizada.
Por que 2026 é o ano de adequar
Em 2026, a CBS (0,9%) e o IBS (0,1%) aparecem na nota apenas para teste, sem recolhimento efetivo. É a janela ideal para ajustar tudo sem pressão financeira.
1. Atualize o ERP e o emissor de notas
O seu emissor de NF-e, NFC-e e NFS-e precisa mostrar os campos novos de CBS e IBS (layout NF-e 4.0+ já comporta; basta ativar via atualização). A CBS e o IBS devem ser destacados separadamente no XML, não somados ao PIS/COFINS. Solicite a atualização ao fornecedor do software.
2. Teste a emissão em homologação
Antes de emitir "para valer", teste a emissão de notas com os novos campos em ambiente de homologação. Confira se o certificado digital e os schemas estão atualizados.
3. Ajuste a escrituração (EFD-Contribuições)
A EFD-Contribuições ganhou registros novos para a CBS (Guia Prático v7.0+). Atualize o sistema de escrituração e valide o PVA do SPED na versão mais recente. Confira o mapeamento dos CSTs de CBS.
4. Configure os códigos de receita
Configure no sistema financeiro os códigos de receita de CBS e IBS. Alguns códigos ainda serão publicados pela RFB, acompanhe.
5. Mapeie o impacto do split payment no caixa
A partir de 2027, o imposto sai no pagamento. Verifique se a maquininha/gateway suporta split e simule o efeito no fluxo de caixa, principalmente nas vendas a prazo.
6. Treine a equipe
A equipe fiscal precisa conhecer os novos campos e CSTs. Um treinamento curto agora evita erro de emissão depois.
Checklist 2026
- ERP/emissor atualizado com campos CBS/IBS
- Emissão testada em homologação
- Escrituração (EFD-Contribuições v7.0+) atualizada
- PVA do SPED na versão mais recente
- Códigos de receita de CBS e IBS configurados
- Impacto do split payment mapeado no caixa
- Equipe fiscal treinada
- (Simples) decisão sobre CBS/IBS dentro ou fora do DAS encaminhada
CTA: Baixe o Checklist 2026 e adeque a sua empresa com o apoio da RRT.
Por que começar agora, e não em 2027
Em 2026 a CBS é só 0,9% e o IBS 0,1%, com compensação, ou seja, errar agora custa pouco. É a janela perfeita para testar, ajustar e treinar sem risco financeiro relevante. Quem deixar tudo para 2027, quando a CBS assume a alíquota cheia, vai aprender com erros caros. A lição de casa de 2026 é barata; a de 2027 não é.
Quem cuida de quê
A preparação é um trabalho a três mãos: o fornecedor do software (ERP/emissor) entrega a atualização com os campos de CBS e IBS; o seu contador ajusta a escrituração, os CSTs e os códigos de receita; e a sua empresa testa a emissão, treina a equipe e mapeia o impacto no caixa. Quando os três se falam cedo, a transição é tranquila.
O custo de não se preparar
Sistema desatualizado significa nota rejeitada, escrituração inconsistente e malha fiscal, a Receita já cruza a CBS declarada na EFD-Contribuições com a DCTFWeb. Some-se a isso o split payment, que muda o momento em que o imposto sai do caixa. Chegar despreparado nessas frentes ao mesmo tempo é o tipo de problema que se evita com alguns meses de antecedência. Anote as pendências num checklist simples e revise mensalmente com o seu contador.
Um cronograma realista para o ano
Não precisa fazer tudo de uma vez. Um caminho sensato: no primeiro semestre, atualizar o ERP e testar a emissão em homologação; no meio do ano, ajustar a escrituração e os códigos de receita; no segundo semestre, treinar a equipe e simular o efeito do split no caixa. Distribuído assim, o esforço some no meio da rotina, sem virar projeto de última hora.
A regra de ouro de 2026: use o ano-teste como ensaio. É a única vez em que dá para errar a custo quase zero, não desperdice.
A boa notícia
Nada disso é complicado isoladamente, é só questão de não deixar acumular. A maioria dos ERPs sérios já está lançando as atualizações, os contadores já dominam os novos campos e a Receita publicou os guias. Com organização e um bom parceiro contábil, a adequação de 2026 é trabalho de rotina, não um bicho de sete cabeças. Comece cedo e o ano vira aliado, não inimigo.